Mistério dos Tijolos Pretos: Uma Exploração do Enigma no Final do Podcast”

        “ATENÇÃO: Este artigo contém spoilers importantes sobre o filme O Podcast”

Apesar de seu modesto orçamento, a obra de ficção científica de Lucy Campbell e Matt Vesely, O Podecast, é um filme que levanta questões profundas.

Acompanhando uma podcaster (Lily Sullivan) à beira de um enigma aparentemente global, o filme mergulha nos limites de uma conspiração governamental e

possíveis contatos alienígenas, sem jamais se comprometer com uma explicação clara.

Então é um filme sobre objetos extraterrestres que estão espalhando uma doença entre a população humana? Ou alguma outra coisa? Vamos mergulhar.

 

 

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Sobre o que é O Podcast?

Depois de enfrentar uma humilhação pública por escrever uma história sem a devida verificação das fontes, uma jornalista ansiosa se retira para a casa de seus pais

abastados, nos Adelaide Hills, no interior, para se dedicar a um novo projeto de podcast. Sua carreira está em risco e o futuro parece sombrio, até que uma nova pista

chega à sua caixa de entrada – uma denúncia sobre uma mulher que misteriosamente adquiriu um estranho tijolo preto. A jornalista começa a investigar e logo

descobre que há mais desses tijolos, todos os destinatários ligados por doenças e visões inexplicáveis. Rapidamente, ela percebe que os tijolos contêm símbolos que

não correspondem a nenhum idioma conhecido – e que sua própria conexão com a história pode ser mais profunda do que ela jamais imaginou.

 

O que acontece no final do O Podcast?

A primeira pessoa que a jornalista entrevista após receber a denúncia é uma mulher chamada Floramae (dublada por Ling Cooper Tang). A história dos tijolos de

Floramae começou quando sua filha, Paula (dublada por Ansuya Nathan), supostamente vandalizou os móveis da rica família onde Floramae trabalhava há muitos

anos. A família (que tinha uma filha) demitiu Floramae e moveu uma ação judicial contra ela, e eles acabaram aceitando o tijolo preto como pagamento, vendendo-o

posteriormente a um colecionador de arte.

A jornalista acaba percebendo que foi sua própria família quem roubou o tijolo preto de Floramae, e fica implícito que ela mesma vandalizou os móveis, o que

colocou a filha de Floramae em apuros. Depois dessa constatação, e da decisão de não fazer nada a respeito (ela apaga a entrevista em que o pai confirma o ocorrido),

a jornalista tosse um dos tijolos pretos. Ela então o quebra com um martelo, apenas para que as peças se transformem em um sósia de si mesma. Ela tem um

confronto final com o doppelgänger e uma de suas versões é morta. Sim, é muito.

 

Quais são os tijolos pretos no O Podcast?

A resposta a essa pergunta reside na essência do filme: esta é uma história sobre alienígenas, doenças mentais ou uma combinação dos dois? A narrativa segue uma

linha deliberadamente ambígua, especialmente quando vista através dos olhos de alguém que está enfrentando sérios desafios mentais.

Por um lado, os tijolos pretos parecem ser tangíveis. A jornalista entra em contato com várias pessoas ao redor do mundo que compartilham experiências

semelhantes com os tijolos, recebe imagens deles e examina digitalizações tridimensionais enviadas a seu irmão cientista para validação. Se houver uma fraude

acontecendo, ela é incrivelmente elaborada. Dado que os símbolos encontrados dentro dos tijolos não correspondem a nenhuma linguagem humana conhecida, a

implicação é que esses objetos podem ter uma origem extraterrestre (uma teoria que pode ser reforçada pela visão de um tijolo preto gigante pairando sobre a casa

da jornalista no céu). Talvez os tijolos estejam sendo usados por uma força alienígena para disseminar uma estranha doença entre a população? Ou talvez tudo isso

faça parte de algum tipo de experimento?

Por outro lado, também seria plausível argumentar que os tijolos pretos representam uma metáfora para a doença mental. Cada pessoa na história que entra em

contato com esses tijolos tem alguma experiência traumática associada à sua presença em suas vidas – Floramae enfrenta acusações de vandalismo e subsequente

demissão; o colecionador de arte Klaus (Terence Crawford) relata a morte de seu irmão; e a própria jornalista tem suas próprias memórias de infância reprimidas,

juntamente com a decisão de mantê-las enterradas. O tijolo preto poderia simbolizar a rápida deterioração de sua saúde mental no desfecho do filme?

 

O que acontece com o jornalista no final de O Podcast?

Mais uma vez, essa questão retorna ao debate entre alienígenas e doenças mentais. Uma interpretação é que o doppelgänger gerado a partir do tijolo poderia ser um

verdadeiro alienígena – uma manifestação física de uma possível raça extraterrestre que esteja enviando esses tijolos pretos. Talvez o tijolo seja algum tipo de

recipiente capaz de transportar um alienígena dentro dele, ou talvez funcione como uma semente que cresce dentro de uma pessoa, manipulando suas memórias e

DNA até se manifestar literalmente como um duplo delas.

Por outro lado, e se tudo isso estiver apenas na mente em desordem do jornalista? E se o doppelgänger marcar sua queda na psicose, e sua batalha contra isso for na

verdade uma metáfora estendida de suas próprias lutas internas?

Como O Podecast segue essa linha com tanta sutileza, é impossível ter certeza do destino final da jornalista. Ela foi substituída por algo no desfecho do filme, ou

sucumbiu a uma ruptura mental completa da realidade? Assim como o filme como um todo, o desfecho fica aberto à nossa própria interpretação.

O Podcast: Está disponível para transmissão no MAX.

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