‘Godzilla Minus One’ deixa espaço para mais?

Godzilla é indiscutivelmente o mais reconhecível monstro do cinema de todos os tempos. Apesar das múltiplas iterações que o kaiju já teve ao longo dos anos,

cineastas continuam a encontrar maneiras de reinventá-lo. Um exemplo recente disso é “Godzilla Minus One”, o mais novo filme da Toho na franquia desde “Shin

Godzilla” em 2016. Embora este filme represente um retorno às raízes da série, sendo uma homenagem ainda mais direta ao original de 1954, também explora novos

terrenos. Ambientado em meados do século 20, resgata o contexto histórico da época, utilizando Godzilla como uma metáfora para os horrores da guerra nuclear,

indo além do que “Shin Godzilla” conseguiu. Além disso, o filme incorpora uma cativante narrativa sobre pai e filha, e elementos de trabalho em equipe, resultando

em uma produção que não só resgata a essência do monstro, mas também tem uma profundidade emocional que rivaliza com sua imponência física.

 

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“Godzilla Minus One” pode não representar uma reinvenção radical do icônico monstro do cinema, mas traz uma abordagem emocionante que há muito tempo não

se via na franquia. De fato, sua ambientação histórica e sua visão sombria acrescentam uma camada de profundidade que deixa os fãs ansiosos por mais. Com um

final que deixa perguntas no ar, os espectadores são deixados clamando por uma continuação. A cena final, onde a fera titular aparentemente é derrotada, mas deixa

uma sugestão de que pode não ser o fim definitivo, deixa espaço para especulação. Será que esta é a última versão de Godzilla, ou ainda há mais a explorar? Com as

sementes plantadas para futuras narrativas, resta aos fãs esperar ansiosamente por mais desdobramentos nesta intrigante jornada cinematográfica.

 

‘Godzilla Minus One’ tem os melhores personagens humanos de toda a franquia

Esta iteração se desenrola no Japão do pós-guerra, especificamente entre os anos de 1945 e 1947, um período marcado pela devastação e pela necessidade de

reconstrução. É nesse contexto que surge uma ameaça terrível das cinzas das bombas atômicas: Godzilla. No entanto, o impacto narrativo é potencializado quando

um filme consegue estabelecer uma conexão emocional genuína com seus personagens humanos. Entre todos os filmes já feitos sobre Godzilla, “Minus One” se

destaca nesse aspecto, conseguindo envolver o público de forma mais profunda do que seus predecessores.

A trama acompanha Kōichi Shikishima (interpretado por Ryunosuke Kamiki), um ex-piloto kamikaze assombrado pelo TEPT após testemunhar Godzilla ceifar a

vida de um grande número de pessoas diante de seus olhos. Dois anos depois, Kōichi retorna ao Japão, lutando com o peso da sobrevivência, iniciando um

relacionamento com Noriko Ōishi (interpretada por Minami Hanabe), uma sobrevivente do Bombardeio de Tóquio, e adotando uma filha chamada Akiko

(interpretada por Sae Nagatani). Enquanto acompanhamos Kōichi se unindo à marinha e aos cientistas em uma missão para derrotar Godzilla, nossa torcida por ele

se deve, principalmente, ao desejo de vê-lo reunido com sua família. A força emocional desses laços familiares adiciona uma dimensão humana crucial a uma

narrativa repleta de ação e perigo iminente.

Após a devastação causada por Godzilla, incluindo a morte de Noriko, Kōichi se junta ao Serviço Aéreo da Marinha Imperial Japonesa e a um grupo de cientistas

para elaborar um plano destinado a finalmente derrotar a criatura. Seu Plano A envolve cercar Godzilla com tanques de Freon e detoná-los, reduzindo sua

flutuabilidade e levando-o às profundezas do oceano, onde seu corpo seria esmagado pela pressão. Caso isso falhe, o Plano B consiste em inflar uma série de

dispositivos de flutuação ao redor de Godzilla, forçando-o à superfície dos oceanos e causando uma explosão descomprimindo seu corpo.

Antes de poder participar da missão, Kōichi recebe a ordem de ficar para trás.

 

Como ‘Godzilla Minus One’ termina para o Rei dos Monstros?

Infelizmente, nem o Plano A nem o B funcionam como esperado. Godzilla emerge à superfície, preparado para aniquilar toda a frota com seu sopro atômico.

No entanto, pouco antes do desastre iminente, Kōichi surge em um avião, voando direto para a boca de Godzilla e detonando sua respiração atômica, resultando na

explosão da cabeça do monstro. Ao longo do filme, Godzilla demonstra sua capacidade de se regenerar mesmo dos ferimentos mais graves, mas sua própria arma

acaba sendo sua ruína, fazendo com que seu corpo afunde nas profundezas do oceano.

O ato de bravura de Kōichi, sacrificando-se pelo bem maior, é comovente, porém, revela-se que ele não se sacrificou de fato; ele ejetou-se no último momento.

Embora inicialmente agridoce, é um alívio saber que ele sobreviveu, especialmente após o compromisso de Kenji em minimizar as baixas na frota. Kōichi se reúne

com sua filha, Akiko, e até descobre que Noriko sobreviveu ao ataque de Godzilla a Tóquio e está se recuperando em um hospital.

Este desfecho, embora belo, não é totalmente tranquilo. A cena final sugere que o Rei dos Monstros pode não ter chegado ao fim, enquanto vemos uma parte da

carne de Godzilla se regenerando lentamente no fundo do oceano, antes da tela ficar escura. Este é apenas mais um indício de que a história de Godzilla está longe de

terminar.

Com base na cena final, fica em aberto o destino de Godzilla e o que pode vir a seguir. Pode ser que ele retorne para enfrentar o Japão novamente, ou talvez ele se

envolva em batalhas ainda mais épicas contra criaturas ainda mais formidáveis. O que é certo é que o nosso kaiju favorito está longe de ser esquecido.

Esperemos que “Godzilla Minus One” não seja apenas um caso isolado, mas sim o início de uma série operística e sombria de filmes de monstros da Toho.

A franquia tem um vasto potencial para explorar novas histórias e desafios para Godzilla, mantendo os fãs ansiosos por mais.

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